quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A tristeza pode causar doenças

A relação que existe entre a mente e o corpo é muito íntima. Quando um é afetado, o outro se ressente. Então precisamos ter claro que o nosso estado emocional tem uma atuação muito mais ativa sobre o nosso organismo do que queremos assumir. 
Muitas doenças que nos acomete estão diretamente relacionadas aquilo que estamos sentindo. Por isso, é tolice menosprezar os efeitos que sentimentos como depressão, tristeza, ansiedade, mágoa, remorso, culpa, desconfiança, exercem sobre nós. Todos esses sentimentos geram reações no organismo que minam a sua resistência, e causam doenças.
Na bíblia, no livro de Provérbios 4:23, encontramos o seguinte conselho "de todas as coisas que você deve proteger, proteja em primeiro lugar as suas emoções, porque elas são o centro de sua vida". 
O conselho que Salomão dá é que devemos proteger os nossos sentimentos, se quisermos preservar a nossa vida.
Proteger os sentimentos tem a ver com tomar as decisões acertadas acerca do que é importante ou não em nosso dia-a-dia. 
Tem menos a ver com as coisas marcantes que nos acontecem eventualmente, e mais com os detalhes que inundam a nossa rotina.
Quando permitimos que as nossas emoções sejam conduzidas pelas circunstâncias, as colocamos numa posição vulnerável, deixando-as a mercê de coisas sobre as quais não temos nenhum controle, e que podem ser muito ruins, e o resultado pode ser uma doença.
Então como podemos guardar os nossos sentimentos? Jesus aborda o tema de maneira bem objetiva: "Porque vocês andam tão preocupados...? Olhem para as aves voando livremente, elas não plantam, nem colhem, nem armazenam nada, mas o nosso Pai do Céu dá a elas tudo o que precisam. Será que vocês não valem mais do que elas?" (Mt. 6:25-26)
Acredito que a única forma de guardar os nossos sentimentos é fazer o que Jesus nos ensinou e nos disciplinarmos a nutrir sentimentos opostos aos destrutivos.

Sentimentos como a fé, a alegria, o ânimo, a confiança e o amor vão gerar em nosso corpo saúde e bem estar. Isso ocorre porque esses sentimentos positivos causam reações que tornam o nosso organismo mais resistente. Assim, uma vida cheia de contentamento e movida pelo ânimo, vai redundar em saúde para o nosso corpo.
O segredo para nutrir sentimentos positivos que vão se opor aos destrutivos, está em "olhar" tudo o que nos cerca e focar naquilo que nos dá esperança.
É provável que a tristeza, a ansiedade ou o medo que você está enfrentando neste momento só está agindo porque você ainda não decidiu olhar a beleza dos "pássaros" ao seu redor, e não se permitiu ter o coração inundado pela alegria e esperança que eles proporcionam.
Cuidado isso pode te adoecer!
Tristezas sempre existirão, mas graças a Deus, os "pássaros" também!
Olhe para eles e seja livre!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Viver de lembranças causa depressão

Esse blog se propõe a tratar de sentimentos e apontar modos de superá-los, quando destrutivos.
Nesse aspecto, um dos grandes desafios que enfrentamos na vida é não ser levado pela correnteza das nossas recordações, então esse será o tema desta postagem.
É muito bom recordar, entretanto pode ser paralisante ficar preso às memórias.
Não que não seja bom lembrar as coisas boas que nos aconteceram, mas em geral, quando somos dados ao saudosismo, vem no mesmo pacote a tristeza.
Assim, enquanto relembrar o que foi ruim nos paralisa pela tristeza de não sermos capazes de desfazer o que foi desagradável, recordar o que foi bom pode nos paralisar pela tristeza de não estarmos mais vivendo algo que nos fez bem.
E vamos convir que tanto um, quanto o outro são extremamente nefastos, não é mesmo?
Não é à toa que há quem afirme que a depressão é excesso de passado.
Essa afirmação faz muito sentido porque a depressão, à exceção da circunstancial (resultado de um problema vivido no presente, que em geral dura pouco tempo), não é motivada por um fato específico, mas é um processo no qual a pessoa se fixa, de tal maneira, a um determinado problema vivido no passado, que experimenta uma angústia constante, sem nenhuma expectativa de alívio.
Quando a pessoa se prende ao passado dessa forma, perde o contato com o mundo real, já que o ocorrido faz parte de uma realidade temporal (do tempo passado), mas não da realidade atual, que é a que vivida de fato.
A pessoa acaba presa a um tempo que não é o hoje, o agora.
E essa é uma prisão impossível de se escapar, tendo em vista que ela está apenas na mente da pessoa, e não no mundo real.
A bíblia já nos ensina acerca disso.
No livro de Isaías, um grande líder de Israel, encontramos a seguinte mensagem de Deus ao povo: (Isaías 43:18-19) "Não se lembrem das coisas passadas, nem fiquem presos as antigas. Estou fazendo algo novo, que já começa a ser visto; por acaso vocês não estão percebendo"?
Por esse texto, fica implícito que para ver as possibilidades do presente, precisamos ser livres das cadeias do passado.
Quando usamos a nossa energia para recordar o que já vivemos, ficamos sem força para viver tudo o que podemos no presente.
É preciso que nos libertemos das cadeias do passado e vivamos o hoje com a certeza de que Deus está cuidando do nosso futuro e reescrevendo um novo capítulo para nós!
O que passou teve a sua importância, para o bem o para o mal em nossas vidas, mas o poder que exerceu já passou.
Hoje, podemos escolher não ser afetado pelo que já nos causou tanto mal, e ter a esperança de que viveremos de novo aquilo que nos fez bem, só que de outro jeito, em um novo contexto.
Podemos escolher confiar que Deus é poderoso para fazer muito mais na nossa vida hoje, do que Ele fez no passado. Mesmo que o que Ele tenha feito foi tão grande, que pareça que nunca mais iremos alcançar.
O segredo está em depender Dele, e não de nossa própria capacidade, e se desprender do passado!
Faremos aquilo que pudermos, e o que não formos capazes, Deus nos ajudará a realizar!
Eu não sei qual é a sua escolha, mas eu tenho optado por crer em milagres... E os tenho colhido aos montes!
Se você quiser, pode experimentar romper hoje com o que ficou para trás, e começar a ver as grandes oportunidades que Deus coloca à sua frente!
Deus o ajudará a vencer, não importa o tamanho do seu desafio!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Minhas lutas dos últimos anos

Um ano e oito meses sem postagem alguma! Se você ainda me segue é porque realmente acredita que vale a pena esperar para conferir o que tenho a dizer... Rs

Nesses quase dois anos vivi tão intensamente, tanto frustrações quanto alegrias que, devo confessar, pensei em desistir do blog! Achei que não teria nada a dizer que pudesse "edificar" vocês, então seria melhor me calar.
Hoje, olhando para trás, percebi que eu vivi muito mais frustrações do que alegrias, sim. Mas, como sempre, eu sobrevivi, e saí mais forte do que antes! E portanto, repartir o caminho que percorri será no mínimo interessante, além de ajudar àqueles que estão vivendo situações similares.
Então, vamos lá!
Começando pelo lado bom, casei um filho em agosto do ano passado!
Que experiência! Depois do meu casamento e do nascimento dos meus filhos, foi a maior alegria da minha vida! Experimentei, tantas sensações: nostalgia (que me fazia chorar à toa) pela fase que chegava ao fim, alegria, orgulho, expectativa... Foi um momento indescritível!
Outro momento memorável foi celebrar minha Boda de Pérolas, apenas um mês depois do casamento do meu filho, em setembro passado.
Amo ser casada, por isso, celebro sempre que posso. Aproveito cada oportunidade para agradecer a Deus pelo meu marido e filhos, e para renovar os votos e receber as bênçãos de Deus! Foi lindo!
Depois disso, vivi várias decepções de pessoas que pensava que me queriam bem.
Experimentei traições de alguns "amigos" pessoais e de trabalho. Foi triste porque não eram simples amigos, mas pessoas que eu havia estado ao lado em vários momentos difíceis e ajudado em tudo durante os longos anos de convivência. Esses "amigos" me traíram mesmo, tipo sair do meu lado e se juntar com empresas rivais, ou com ex líderes (leia-se pastores) que apesar de eu tratar com respeito e consideração, só recebi desonra, afronta e coisas horríveis que falavam a meu respeito.
Mas, o mais difícil foi perceber no meio da própria "família", ou seja, daqueles que supostamente deveriam me dar apoio e estar ao meu lado,  pessoas que não foram apenas ingratas, mas, depois de desfrutar de tudo o que eu tinha a oferecer e não precisar mais, se voltaram contra nós, e pagaram todo o bem que receberam com o mal.
Imagina viver todas essas decepções e ainda enfrentar uma cirurgia e uma série de outras enfermidades posteriores.
Mas, imagine também o que foi, depois de um tempo, experimentar o livramento de Deus a cada diagnóstico, e ver se achegar novos amigos, colaboradores e até familiares!
Foram tantos aprendizados como decorrência dessas experiências todas, que eu precisava de um tempo para elaborá-los e repartir com vocês.
Hoje, entendo que o primeiro e maior aprendizado foi descansar completamente em Deus e CRER, de uma forma que antes eu só conhecia "de ouvir falar", mas agora de experenciar, que Ele não permitirá que mal algum me destrua!

A segunda lição, Deus já havia me treinado antes, pois sabia que seria muito difícil superar sem alguma prática:  o Perdão.
Se eu já não fosse graduada na arte do perdão, com certeza teria sucumbido e entrado em depressão. É muito difícil você se empenhar tanto em ajudar, agir com justiça, e abençoar as pessoas que julga que te amam, e receber o mal em troca. Só o mal não... As vezes a sensação era de ódio mesmo. Notava que alguns queriam de qualquer forma me prejudicar!
Como pastora, empresária, enfim, como pessoa de certa forma "pública", já estou acostumada a viver situações de julgamentos injustos, a ser traída, a ser usada e depois descartada... Então também já aprendi a perdoar, me afastar e entregar as pessoas nas mãos de Deus.
Não fico remoendo, nem tenho necessidade de revidar, pelo contrário, me compadeço! Sei o preço que esse tipo de atitude cobra. Deus não é Deus de brincadeira, e cada um dará conta das próprias ações. Em Provérbios 17:13 está escrito "Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa".
Enfim, depois de tudo isso, entendi que o que faz a diferença quando se trata de superação, não é a quantidade de dificuldades que enfrentamos, mas a nossa disposição em continuar, por acreditar que tudo só acaba quando Deus determina o fim, e não quando as nossas forças terminam!
Aprendi que para vencer é preciso ter a humildade necessária para aceitar que é Deus quem decide o que eu sou capaz de suportar, não eu!
"Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo ele vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." 1 Pedro 5:6-7

Acima de tudo, aprendi que a vitória sempre supera o tamanho da batalha, e que ela sempre chega, porque Deus é fiel!
Seja forte e não desista, a vitória está só mais um pouco à frente!
 



sábado, 5 de abril de 2014

Ser feliz é uma escolha


As emoções, como algo passageiro, apesar de intensas não podem definir a nossa vida. Viver com base nas emoções revela imaturidade. Apenas uma criança pode acreditar que a vida é o que ela está sentindo. À medida que amadurecemos, percebemos que os nossos sentimentos se baseiam apenas nas nossas percepções, e que a realidade pode ser muito diferente do que sentimos, se mudarmos o modo como a enxergamos.
Essa constatação nos faz livres para desfrutarmos a verdadeira alegria: aquela que brota de dentro, e é completamente independente das circunstâncias. Ou seja, não permitimos que as circunstâncias ditem o comportamento do nosso coração. Escolhemos ser feliz e ponto!
Podemos estar alegres, independente das circunstâncias ou das situações que enfrentamos.
É verdade que todos enfrentamos momentos de tristeza, e quando eles acontecem é impossível não se entristecer.
Mas, não temos que ficar presos à tristeza. Podemos, racionalmente, decidir que não seremos arrastados por pensamentos fatalistas, e escolher nos fixar na certeza de que isto passará. Podemos acrescentar o recurso da fé, e orar e crer que Deus está nos ouvindo e nos ajudará.  Podemos, ainda, direcionar o nosso pensamento para as áreas de nossa vida que estão bem e nos trazem bons sentimentos.   
Essa simples atitude fará diferença. Ainda que a situação não mude instantaneamente, nos enchemos de esperança e a alegria volta ao nosso coração. Era a isso que o sábio Salomão estava se referindo quando disse que “O coração alegre serve de um bom remédio...” (Provérbios 17:22). Devemos “usar” a alegria para sarar a tristeza.
Novamente, o sábio Salomão nos mostra como fazer isso, ao nos orientar, em Provérbios 4:23, "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida". Gosto desse versículo, e já o citei antes. Gosto, especialmente, por quê nele aprendemos que não somos coadjuvantes, e sim protagonistas de nossas próprias vidas.
Se não podemos impedir que pedras nos sejam lançadas (desemprego, separação, morte de entes queridos, acidentes, doenças, ofensa, traição, ingratidão, inveja...), sempre seremos livres para decidir o que fazer quando elas surgem. Guardá-las, acumulando sentimentos danosos, ou livrar-nos delas, olhando-as pela perspectiva de quem está vivo e escolhe focar o que é bom e o que faz feliz.
Em resumo, nunca teremos o controle das circunstâncias ao nosso redor... Mas, os nossos sentimentos, com certeza, sempre seremos plenamente capazes de controlar.
Da próxima vez que a tristeza aparecer, lembremo-nos que o único antídoto é a alegria, e ao invés de esperar que ela chegue até nós passivamente, corramos em sua direção.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Superando os sentimentos feridos

Penso que todos gostaríamos de ter a receita do que fazer para que as atitudes das pessoas não nos afetem. Isso porque, normalmente, elas afetam mais do que gostaríamos de admitir.

Entretanto, embora seja difícil assumir que podemos estar tristes com atitudes que nos feriram, é essencial “sondar o coração”, para que nele não se enraízem sentimentos nocivos a nós mesmos.

É vital fazer essa checagem periodicamente, pois na maioria das vezes apesar de senti-los, escamoteamos esses sentimentos, e assim eles ficam agindo dentro de nós, ocasionando doenças e uma vida de infelicidade.

A coragem para assumir que está doendo é a primeira etapa do processo de verdadeira cura de nossas feridas.

Toda cura se inicia pelo reconhecimento de que as feridas estão ali independente do fato de as assumirmos ou não.

Vendo desta forma não é de admirar o número de pessoas amarguradas e a enorme quantidade de relacionamentos que causam dor, ao invés de alegria. As vezes estamos inundados de dor porque as pessoas que amamos estão tendo atitudes que nos ferem, mas nos negamos a enxergar isso e trabalhar esses sentimentos. Dessa forma, ficamos presos a um círculo vicioso: no afã de mantermos um relacionamento para sermos felizes, ficamos numa relação que nos causa infelicidade, sem saber como lidar com isso.

Essa é uma realidade complicada, pois não temos controle sobre as ações dos outros, muito menos sobre seus sentimentos. Assim, quando menos esperamos somos, novamente, vítimas de atitudes motivadas pela raiva, pela inveja, pela traição, pela indiferença, pela ingratidão...

Ensinar como sobreviver a isso tem sido algo que encaro como minha missão.

O que não é nada difícil, já que como pessoa também passo por essas situações, então, o que faço é buscar em Deus como lidar com elas e ensinar aos outros aquilo que aprendi.

Ser ferido é algo natural, faz parte da vida, pode ocorrer até mesmo sem ação nenhuma do outro, bastando que as nossas expectativas em relação a ele não sejam atendidas.

Assim, o que fazer?

Em primeiro lugar, eu diria que é necessário reconhecer esse sentimento.

O passo seguinte é buscar em nós mesmos a reação causadora da dor, pois a verdadeira causa da ferida não é tanto o que o outro faz, mas o modo como reagimos a isso.

Pode até parecer complicado, mas é simples: quando uma pessoa te trai, por exemplo, obrigatoriamente, você vai sentir a dor momentânea que o fato causou. Mas, se você lidar com esse sentimento, convencendo-se que pode continuar vivendo sem que isso destrua a sua vida, e perdoando o outro para não passar a viver ressentindo tudo a cada instante, a dor passa e a ferida logo cicatriza.

Neste caso, isso significa que é o nosso orgulho e dureza de coração para conceder o perdão, o verdadeiro motivo para sofrermos tanto.

Por mais que pareça difícil, tenho descoberto que quando lido com os MEUS pecados, o problema causado pelo outro desaparece e eu consigo viver uma vida de alegria, ao invés de tristeza.

Em Provérbios 4:23, Salomão nos aconselha: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida".

O que Salomão estava nos dizendo era que o nosso coração (ou sentimentos), pode ser considerado como algo que abarca a totalidade do nosso intelecto, emoções e vontades. Ou seja, seremos felizes ou infelizes dependendo dos sentimentos que escolhemos ter.

Então, tudo o que temos a fazer é escolher o tipo de vida que queremos ter.
E isso não está nas mãos de ninguém... Somos nós quem decidimos!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Você é vítima do complexo materno?


O meu objetivo com este texto é fazer uma reflexão sobre a influência do relacionamento mãe/filha, que em psicologia recebe o nome de complexo materno.

O interesse neste assunto se deve ao fato do complexo materno, tanto o positivo quanto o negativo, exercer grande influência sobre a psique e desenvolvimento da menina e ter um papel decisivo no modo como ela se relacionará consigo mesma e com os outros.

Ser uma mãe “suficientemente boa” implica em estar em sintonia com as necessidades biológicas e psicológicas que a filha tem. Algumas mães são capazes disso, outras, não. Entretanto todo bebê é completamente dependente do amor, cuidado e atenção de sua mãe.

Nas palavras de Jung, “A desarmonia latente entre os pais, uma preocupação secreta, desejos secretos e reprimidos, tudo isso produz na criança um estado emocional, com sinais perfeitamente reconhecíveis, que devagar, mas segura e inconscientemente vai penetrando na psique dela, levando às mesmas atitudes e, portanto, às mesmas reações aos estímulos do meio ambiente”.

O complexo materno está presente em todos as pessoas, e se relaciona com a necessidade de carinho, proteção e ligação. Se a relação com a mãe for satisfatória e atender estas necessidades, a filha terá sempre a sensação de que a vida é boa, de que é amada e protegida.  O viver dessa mulher será marcado por uma alegria consigo mesma, com o corpo, com a comida, com a sexualidade... Com tudo!

Essa será uma mulher que saberá compartilhar da intimidade corporal e psíquica com outras pessoas, sendo fácil desenvolver a plenitude de amor, cuidado e compreensão com os outros. Essa mulher terá um desenvolvimento emocional saudável.

Portanto, o complexo materno positivo resultará em pessoas que se caracterizam pela facilidade de relacionamento com o outro. Em geral, essas pessoas se comunicam muito bem, são amorosas, generosas e amigáveis, e bem vistas pelos outros.

Já no caso em que a relação com a mãe não seja boa, o complexo materno será negativo e gerará mulheres que viverão com o sentimento de que são desconectados e sem raízes, marcadas pela crença de que as conquistas importantes só são conseguidas através da luta com o “mundo”. No complexo materno negativo encontra-se o sentimento de solidão, de inadequação e de precisar sempre se sobressair para ter o respeito alheio.

É muito comum que pessoas com experiência de complexo materno negativo sejam marcadas por uma desconfiança exagerada nos outros e por nunca esperarem fidelidade de ninguém. Em conexão com isso, há um medo existencial de ser rejeitada que faz com que elas criem barreiras que impedem os outros de se aproximarem, provocando a própria solidão.

Como fenômeno patológico este tipo de mulher se torna uma companheira desagradável, exigente, que pouco satisfaz ao companheiro de qualquer tipo de relacionamento, especialmente outras mulheres que ocupem papel de autoridade em sua vida, por serem fontes de grandes expectativas e, consequentemente, decepções.

É muito comum que mulheres com complexo materno negativo não se sintam amadas, por isso estão sempre exigindo muito do parceiro. Além disso, têm problemas com a autoestima, desânimo, transtornos alimentares, tendência à depressão, angústia à separação e disposição ao sacrifício exagerado e desnecessário nas relações.

Apesar de todo o exposto acima, é importante destacar que complexo não é transtorno. Não é uma doença que precisa de tratamento. É apenas um conjunto de impulsos cuja força está no fato de agir no inconsciente. É necessário torna-lo consciente para que ele se “dissolva” e deixe de ser “perturbador”. Embora um complexo nunca possa ser extinto, ele pode se transformar na medida em que é absorvido e assimilado pelo consciente.

No entanto, para vencê-lo, apenas trazer à consciência os efeitos positivos ou negativos não será suficiente. É preciso observar os comportamentos e atitudes inadequadas, aceitar a figura materna e perdoá-la, a fim de transformar interiormente a relação mãe e filha.

Nesta perspectiva, é de extrema importância que a mulher reconheça os padrões que influenciam a sua vida e os efeitos que isso pode causar. Sair do estado de inconsciência proporcionará um conhecimento de si mesma, que poderá fazê-la encontrar maneiras de modificar este modelo de relação com a figura materna que foi introjetado pela psique.

Se o relacionamento com a mãe gerou sentimentos que se desenvolveram de forma inadequada, a solução reside no estabelecimento de um novo relacionamento com alguém que possa assumir com propriedade o papel de mãe.

E quem pode fazê-lo melhor do que aquele que a formou, a ama e está pronto para ser o supridor de todas as suas necessidades?   Deus certamente será a solução. Ele quer ser aceito como mãe e cuidar de seus filhos, conforme está escrito em Salmos 2:7b “Ele me disse: Você é meu Filho! Hoje te gerei! Hoje é o dia da sua coroação. Hoje dou a você toda a sua glória!”.

Ao se relacionar de forma íntima com Deus a mulher aprenderá a receber amor incondicional, a expor seus desejos, a ter segurança e elevar a autoestima, valorizando-se e tornando-se capaz de estabelecer limites no relacionamento com os outros.

Essa mulher aprenderá a lidar com a ansiedade e o medo de ser rejeitada, descobrindo que tem valor e que existe com um propósito.

domingo, 26 de maio de 2013

Perdão X Compaixão X Confiança


"Depois disso Jesus percorreu a Galiléia, mantendo-se deliberadamente longe da Judéia, porque ali os judeus procuravam tirar-lhe a vida. Mas, ao se aproximar a festa judaica dos tabernáculos, os irmãos de Jesus lhe disseram: "Você deve sair daqui e ir para a Judéia, para que os seus discípulos possam ver as obras que você faz. Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age em segredo. Visto que você está fazendo estas coisas, mostre-se ao mundo". Pois nem os seus irmãos criam nele. Então Jesus lhes disse: "Para mim ainda não chegou o tempo certo; para vocês qualquer tempo é certo. O mundo não pode odiá-los, mas a mim odeia porque dou testemunho de que o que ele faz é mau. Vão vocês à festa; eu ainda não subirei a esta festa, porque para mim ainda não chegou o tempo apropriado". Tendo dito isso, permaneceu na Galiléia. Contudo, depois que os seus irmãos subiram para a festa, ele também subiu, não abertamente, mas em segredo." João 7:1-10
Nesta passagem, Jesus como o grande mestre nos ensina, com sua própria vida, a diferença entre perdoar e confiar.  
Não há menção aqui a qualquer amargura em Jesus. O Seu perdão foi concedido imediatamente, independente da atitude de seus irmãos.
Mas, a confiança foi quebrada, porque não havia, por parte de seus irmãos, a aceitação de quem Ele era.
Jesus nos ensina com isso que um relacionamento só é, necessária e justamente rompido, quando uma das partes não aceita e respeita o outro como ele é. Neste momento se evidencia que a unidade não é possível. 
Quando a prática de dois pesos e duas medidas se instaura, a unidade deixa de ser uma possibilidade. A injustiça impera quando as ações próprias são sempre justificáveis (mesmo quando destrutivas  para o outro, como neste caso), e o outro sempre é visto como errado. Nesse caso, não há a possibilidade de se estabelecer uma verdadeira comunhão.

Como verdadeira comunhão podemos definir o relacionamento no qual existam o suporte e a admiração mútuas, onde os erros não são constantemente lembrados, mas perdoados. Lembrando sempre que há diferença entre perdão e confiança.

Perdoar é desligar-se do passado, deixando de dar importância ao que aconteceu, utilizando o ingrediente essencial para esse ato: a compaixão. Compaixão é o nome que se dá à disposição de creditar à pessoa a capacidade de não cometer o mesmo erro. Em outras palavras, é a oportunidade que damos ao outro para provar que mudou. 

Já a confiança é uma projeção do comportamento futuro, por isso não pode ser concedida levianamente. Como confiança diz respeito a uma oportunidade, é o outro que vai dar o rumo do relacionamento.
Jesus nos ensinou o modelo. Sua confiança em seus irmãos foi concedida por muito tempo, mas em um determinado momento, foi retirada. Eles não se mostraram mais dignos, então Jesus simplesmente parou de repartir com eles os seus planos, e até mesmo sua convivência. Ele se afastou de seus irmãos.
Ele seguiu em frente, mas sozinho.

A separação nestes casos é sempre necessária porque a medida do amor ao próximo é a mesma do amor próprio. Ninguém jamais será capaz de amar o outro se não amar a si mesmo. De maneira similar,  ninguém poderá aceitar o outro, se primeiro não se aceitar.
Deste modo, num relacionamento em que você é desrespeitado enquanto pessoa, quando o outro não tem nenhuma sensibilidade para com os seus sentimentos, a separação torna-se necessária, pois a auto estima é vital para qualquer relacionamento.

Esta é a lição que fica.

Precisamos aprender, com Jesus, a nos afastar daqueles que poderiam destruir nossa auto estima, por mais que os amemos, e nos aproximar daqueles com quem seja possível estabelecer uma verdadeira comunhão.

Precisamos saber escolher, e escolher sempre o caminho do verdadeiro amor. Um amor livre. Um amor que não depende da convivência para existir. Um amor cujo modelo é o próprio Jesus.

Termino com as palavras de Joyce Mayer: "O perdão é uma escolha. Amar alguém é uma escolha. Amor não tem nada a ver com os arrepios ou sentimentalismo. Amor é decidir como tratamos as pessoas. Devemos aprender a tomar decisões. Temos de aprender a fazer o que é certo, especialmente quando não gostamos".